Preciso operar imediatamente após o diagnóstico de câncer?
Após a turbulência inicial que acompanha o diagnóstico de câncer, surge um pensamento quase automático:
“Quero tirar isso de mim o mais rápido possível.”
Esse impulso é compreensível. Diante de um problema, a tendência natural é resolvê-lo rapidamente. E quando se trata de um tumor dentro do próprio corpo, a ideia de removê-lo imediatamente parece, intuitivamente, o melhor caminho.
No entanto, nem sempre a cirurgia imediata é a melhor estratégia.
Antes de qualquer decisão terapêutica, é fundamental avaliar a extensão da doença. Isso significa entender se o tumor está restrito ao órgão onde se originou ou se já há comprometimento de linfonodos ou outros órgãos, situação que chamamos de metástase.
Quando há doença metastática, o tratamento principal costuma ser sistêmico, como quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo, a depender do tipo de tumor e de suas características moleculares. Nesses casos, a cirurgia pode ter papel limitado ou ser indicada apenas em situações específicas, geralmente discutidas em centros de referência e em contexto multidisciplinar.
Mesmo nos casos de doença localizada, o objetivo do tratamento não é apenas retirar o tumor visível.
O objetivo é reduzir ao máximo o risco de recorrência e aumentar as chances de controle definitivo da doença. Isso envolve tratar não apenas o tumor detectável, mas também possíveis células microscópicas que não aparecem nos exames.
Por esse motivo, em algumas situações optamos por iniciar tratamento sistêmico antes da cirurgia, o chamado tratamento neoadjuvante, com o objetivo de reduzir o tumor, avaliar sua resposta e tratar possíveis focos microscópicos precocemente. Em outros casos, indicamos tratamento após a cirurgia, o chamado tratamento adjuvante, com a finalidade de diminuir o risco de retorno da doença.
Cada decisão depende do tipo de câncer, do estágio, das características biológicas do tumor e das condições clínicas do paciente.
A pergunta correta, portanto, não é apenas “preciso operar imediatamente?”, mas sim:
qual é sequência de tratamento maximiza minhas chances de cura ou de controle prolongado de doença?
Por isso, a avaliação por um oncologista é fundamental.
O tratamento do câncer deve ser conduzido com estratégia, método, individualização do cuidado e evidência científica, sempre respeitando a urgência que o diagnóstico naturalmente provoca.
Em oncologia, agir rapidamente é importante.
Agir corretamente é decisivo.
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