Biomarcadores: quando eles existem, quando não existem — e por que eles mudam o tratamento
Depois que identificamos qual é o tipo de câncer e de onde ele se originou, surge uma pergunta natural:
“Existe algum exame que mostre qual é o melhor tratamento para mim?”
A resposta é: às vezes sim, às vezes não.
E é exatamente aqui que entram os biomarcadores.
Biomarcadores são características biológicas do tumor.
Eles funcionam como pistas internas que mostram:
• como aquele tumor cresce,
• quais vias ele usa para se multiplicar,
• e quais tratamentos podem ou não funcionar melhor.
Mas existe um ponto importante e pouco falado:
nem todo tipo de câncer tem biomarcadores relevantes.
Alguns tumores, como carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular de pele, por exemplo, geralmente não dependem de alterações moleculares específicas para guiar o tratamento. Outros respondem mais ao padrão clínico e histológico do que a testes genéticos.
Já em vários outros tumores, especialmente tumores gastrointestinais, pulmão e mama, os biomarcadores mudam completamente o caminho terapêutico.
Um exemplo clássico é o câncer de estômago.
Nesse tumor, avaliamos biomarcadores que influenciam diretamente o tratamento:
• HER2 — quando positivo, permite o uso de terapias alvo como trastuzumabe (e hoje novas combinações ainda mais potentes).
• PD-L1 (CPS) — ajuda a decidir se a imunoterapia será parte do tratamento, e em qual intensidade.
• MSI-H / deficiência de reparo (dMMR) — quando presente, aumenta de forma marcante a resposta à imunoterapia.
• Claudin 18.2 — biomarcador alvo de novas terapias, como zolbetuximabe, que mudou o manejo de uma parcela de pacientes.
Perceba a lógica: o tipo de tumor vem primeiro; os biomarcadores vêm depois — e só quando fazem sentido para aquele câncer.
Outros exemplos claros disso são tumores de pulmão, mama, cólon, esôfago, fígado e vias biliares, nos quais biomarcadores como EGFR, ALK, ROS1, RAS, BRAF, IDH1, FGFR2, entre muitos outros, orientam tratamentos altamente específicos.
Mas mesmo nesses tumores, existe variabilidade:
nem todos os pacientes têm alterações identificáveis.
Nem todo tumor é “direcionável”.
Isso não significa falta de opção.
Significa que a biologia daquele câncer é mais “clássica”, e o tratamento segue linhas já bem estabelecidas e eficazes.
O mais importante é entender que biomarcadores não são bônus nem modismo:
são ferramentas que ajudam a escolher o tratamento mais eficaz e, em muitos casos, evitar terapias desnecessárias.
Quando estão presentes, eles personalizam.
Quando não estão, seguimos pelo melhor caminho padrão, baseado em evidência.
Biomarcadores não são apenas exames — são ferramentas que direcionam decisões importantes.
Se você precisa avaliar quais deles fazem sentido no seu caso, estou à disposição.
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